3ª edição do evento gratuito reuniu 1000 participantes de 104 cidades e 8 estados do país
"Sejam bem-vindos ao maior evento de democratização e colaborativo sobre conhecimento do autismo do Estado de São Paulo"

Ana Cláudia Picolini, servidora do IFSP, mãe atípica e idealizadora do GETEA, em sua fala de abertura [Fotografia: Guilherme Ueda pelo IFSP]
No último sábado (25), aconteceu o 3º Encontro sobre Autismo de Votuporanga, realizado em colaboração com a Prefeitura de Votuporanga, por meio da Secretaria de Educação, e o Grupo de Estudos sobre o Transtorno do Espectro Autista (Getea), idealizado pela mãe atípica e servidora do IFSP Ana Cláudia Picolini. Pela manhã, os participantes foram recebidos no Votuporanga Clube para credenciamento e duas palestras; durante o período da tarde, noCampusVotuporanga, participaram de duas rodadas deworkshops (oficinas). O evento teve como lema “Informação gera empatia, empatia gera respeito” e compôs a programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2025) do campus.
Na abertura, estiveram presentes autoridades locais, regionais e estaduais: Ivonete Félix do Nascimento, secretária municipal da Saúde, representando o prefeito de Votuporanga-SP Jorge Seba, a servidora Juliana Vieira Lacerda, representando o secretário municipal de Educação Ederson Marcelo Batista, o assessor e ex-vereador Osvaldo Carvalho, representando o deputado estadual Carlão Pignatari, o vereador Marcão Braz, representando a Câmara Municipal de Votuporanga e José Antônio Tatai, pelo Consórcio Intermunicipal do Noroeste Paulista. O administrador e Diretor-geral doCampus Votuporanga Ricardo Teixeira Domingues representou o Instituto Federal de São Paulo (IFSP), coorganizador do evento.
Ana Cláudia Picolini saudou os participantes e desejou que o dia de atividades fosse de leveza e esperança: “Sejam bem-vindos ao maior evento de democratização e colaborativo sobre conhecimento do autismo do Estado de São Paulo”. Em seguida, Wallace De Lira subiu ao palco para a palestra “Uma mente que não consegue se encaixar”, centrada em relatos pessoais e aspectos científicos do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ativista autista, escritor e estudante de psicologia, em 2022 começou a produzir e veicular conteúdo em plataformas digitais. “Minha mãe é professora e eu valorizo muito esses profissionais… A verdadeira inclusão transforma não apenas o educando, mas toda a comunidade escolar”, defendeu.

Wallace de Lira emocionou a plateia ao ler uma carta a sua avó e a sua mãe [Fotografia: Guilherme Ueda pelo IFSP)
Às 10h30, foi a vez doprofessor e pesquisador na área de neurociência e neuroeducaçãoNino Paixão palestrar ao público formado por estudantes e profissionais da saúde e da educação, autistas e familiares de autistas e membros da sociedade interessados no tema. Com bom humor, o pesquisador destacou a importância de se evitar a hiperconectividade para a preservação da saúde do cérebro humano. Das mãos de Ana Cláudia, o palestrante recebeu um troféu de participação e encerrou as atividades matutinas do evento.

O professor e pesquisador Nino Paixão apresentou a perspectiva da neuroeducação [Fotografia: Guilherme Ueda pelo IFSP]
A partir do meio-dia, os participantes foram recebidos no CampusVotuporanga com food trucks locais (praça de alimentação), que aderiram a uma Chamada Pública. Das 13h30 às 15h e das 15h30 às 17h, houve a oferta de 2 workshops (oficinas), escolhidos no ato de inscrição para o evento. Confira a lista das 21 opções multitemáticas disponibilizadas:
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Título
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Profissional ministrante
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Manejo de Comportamento
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Janaína Moreira (Psicóloga)
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Escola x Diagnóstico x Família
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Alexandra de Paula (Psicóloga)
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Educação Sexual no Autismo: como educar e orientar com respeito e cuidado
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Daniela Camargo (Psicóloga)
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Autismo em Sala de Aula: um Estudo de Caso e a Construção de Estratégias Pedagógicas
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Kátia Lima (Educadora)
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Corpo e Movimento como ferramentas de Inclusão
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Fernanda Blanco (Professora e mãe atípica)
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AEE (Atendimento Educacional Especializado): Inclusão que transforma
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Franciella Machado Sarmento (Professora e psicopedagoga)
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Rigidez cognitiva no autismo
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Gabriela Jodas e Bárbara Mesquita (Psicólogas)
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Autismo Feminino: para além dos anjos azuis
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Gabriela Caporalini Teodoro (Estudante de Psicologia)
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Inclusão no ensino superior: desafios e possibilidades
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Giovana Cristante (Psicóloga)
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Desvendando o PEI
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Gisele Albuquerque (Psicopedagoga)
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Música como ferramenta facilitadora no ensino e aprendizagem
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Jacqueline Valini Santos (Musicoterapeuta)
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Muito além da fala: recursos de Comunicação Alternativa na escola
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Joyce Pereira (Fonoaudióloga)
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Habilidades sociais: o que são e como posso promover?
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Juliana Santos (Psicóloga)
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Acomodações Sensoriais: quando o espaço acolhe e a inclusão se torna possível
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Laurie Marangon e Beatriz Pachelli (Terapeutas Ocupacionais)
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Para além de cuidar de quem cuida!
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Luciana Nakata (Psicóloga)
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Estratégias lúdicas para estimular habilidades de crianças autistas
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Márcia Pinheiro (Pedagoga)
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Suportes visuais e adaptações na educação de pessoas com deficiência
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Nayara Castellano (Neuropsicopedagoga)
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Autismo: Fala, Linguagem e Comunicação
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Nazima Simonato (Fonoaudióloga)
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Adaptação de atividades: práticas que otimizam o trabalho do professor
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Nilma Veroneis (Professora do Ensino Fundamental)
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Preparar para aprender: explorando os pré-requisitos na Educação Infantil
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Tarsila Quatrochi (Pedagoga)
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Medicação como aliada no tratamento do TOD, TEA e TDAH
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Rafaela Corgozinho (Psiquiatra infantil)
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A professora Nilma Veroneis no workshop sobre adaptação de atividades para estudantes autistas [Fotografia: Augusto Miceno pelo IFSP]
Carneirinho-MG. A cidade de Votuporanga recebeu diversos ônibus e vans dos mais de 100 municípios com participantes inscritos. A cidade mineira de Carneirinho, distante 154 quilômetros, trouxe 32 pessoas. A assistente pedagógica Grazielle Rezende Queiroz Lezo atua na rede pública daquele município e participou pela segunda vez do evento. “Vim em 2024 e fiquei apaixonada pelo evento e pelo grupo de estudos”. A educadora participou de seletiva do GETEA, da qual é membro. “Depois que entrei, mudou minha visão a respeito do TEA. O processo é árduo, porém, agora o vejo de forma mais leve”, disse.

A educadora Grazielle Lezo, de Carneirinho-MG, e Ana Cláudia Picolini [Fotografia: Augusto Miceno pelo IFSP]

Registro fotográfico da caravana de Carneirinho-MG [Fotografia: arquivo pessoal de Grazielle Lezo]
GETEA.O Grupo de Estudos sobre o Transtorno do Espectro Autista foi fundado pela mãe atípica, educadora e servidora do IFSP Ana Cláudia Picolini em setembro de 2022 com o objetivo principal de oferecer capacitações gratuitas. A iniciativa resultou no 1º Encontro sobre Autismo de Votuporanga, em 2023. No ano seguinte, ocorreu a segunda edição. Em agosto de 2025, o GETEA e o IFSP, por meio doCampus Votuporanga, assinaram um Protocolo de Intenções, formalizando a colaboração que começara na primeira edição do evento.
O setor de Tecnologia da Informação do IFSP foi responsável pelo sistema de inscrições. Na execução do evento do último sábado, 12 servidores do IFSP estiveram envolvidos diretamente. A equipe atuou em conjunto com as voluntárias do GETEA. A servidora Ana Cláudia Picolini também é membro da equipe de Formação Continuada e do Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (Napne) do Campus Votuporanga.

Equipe de servidores do IFSP após a finalização do evento [Fotografia: arquivo do IFSP]
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