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Experiência extensionista em Educação para as relações étnico-raciais é veiculada em revista da UFPE

Publicado: Quinta, 13 de Fevereiro de 2020, 00h24 | Última atualização em Quinta, 13 de Fevereiro de 2020, 00h40 | Acessos: 247

Concurso de Beleza Negra é colaboração institucional com Neabi do IFMS


A revista Debates Insubmissos, editada pela UFPE, publicou o artigo de relato de Extensão "Resistência e Empoderamento: os Concursos de Beleza Negra IFMS/IFSP". Trata-se de narrativa científica inédita sobre o Concurso de Beleza Negra, evento realizado em 2018 e 2019 no Câmpus Votuporanga do IFSP, sob inspiração e colaboração do Neabi do Câmpus Três Lagoas do IFMS.

Com a intenção de promover ganho de auto-estima junto a adolescentes de Ensino Médio autodeclarados negros, o concurso supera fórmulas tradicionais e convida os jovens inscritos a mergulhar na História e Cultura Afro-brasileira. Na prática, efetiva o previsto na lei 10.639/2003.

Desenvolvido em três fases, o concurso avalia desfile de trajes e adereços, apresentação cultural e perguntas dos jurados. A participação dos candidatos é subsidiada por oficinas de livre participação, que trabalham pinturas, artesanato, danças, história, teatro, entre outros. Além de gratuito, são acolhidas inscrições de estudantes de escolas públicas e privadas.

 

André Ribeiro de Assis, eleito Mister Beleza Negra 2018 (IFSP)


Vencedor da primeira edição do câmpus Votuporanga, em 2018, André Ribeiro de Assis, que pretende cursar Artes Cênicas na Unesp, conta que a experiência de participação mudou sua vida para melhor. Entrevistado, o estudante que concluiu o Ensino Médio na E.E. Cícero Barbosa Lima Júnior, em Votuporanga, distante cerca de 10Km de Parisi-SP, onde reside com a família, respondeu a algumas perguntas:

IFSP - O que significou para você participar da primeira edição do concurso aqui no IFSP?

André - Por quebrar padrões, teve alto valor significativo para mim, pois me fez ver, com outros participantes, a luta diária de aceitação que as pessoas negras têm que enfrentar, ainda mais depois de ter tentando participar de outros concursos, como o mister estudantil da região, porém, tendo desistido por não fazer parte do "padrão estético" que aquele evento exigia.

IFSP – Qual a principal contribuição da experiência do concurso para sua caminhada como estudante?

André – Com certeza, o empoderamento que eu tive, depois de ter ganhado o concurso, foi a maior contribuição como aluno, pois me abriu os olhos para ver uma luta racial constante que até então eu não enxergava.

IFSP – Defina o concurso em 1 palavra

André – Inclusivo.


 

A bibliotecária, co-autora do artigo e organizadora da edição 2019 do Concurso de Beleza Negra do Câmpus Votuporanga, Tatiane Salles [esq.], posa ao lado dos jurados Isabel Cruz (Técnica em Assuntos Educacionais do Câmpus Avaré/IFSP), Francelino Cruz (Diretor-Geral do Câmpus Avaré/IFSP) e Guilherme Tommaselli, co-autor do artigo (professor e membro do Neabi do Câmpus Três Lagoas/IFMS).


Jurados na edição 2019 em Votuporanga, o professor Sebastião Francelino da Cruz e a técnica em assuntos educacionais Isabel Cristina Correa Cruz, ambos servidores do Câmpus Avaré, contam que receberam o convite com alegria e preocupação. "Alegria, pois tudo que valoriza a beleza negra e, por consequência, nossa identidade, fortalece-nos. Por outro lado, a preocupação era natural, pois em muitos eventos dessa natureza os critérios eurocêntricos e padronizados pela cultura capitalista são usados ditando as formas pelas quais corpos e rostos de homens e mulheres devem se adequar para atender os padrões impostos", conta Isabel.

Os jurados, contudo, revelam que foram surpreendidos pela organização e, sobretudo, pela qualidade e desempenho dos candidatos e candidatas. E anunciam que, em novembro de 2020, o Câmpus Avaré pretende promover a primeira edição do Concurso de Beleza Negra.


Extensionista laureada

Mayara em apresentação de trabalho sobre o Concurso de Beleza Negra no V Congresso de Extensão do IFSP em 2018, Barretos-SP


Mayara Alexandra da Silva colou grau no último dia 7 de fevereiro como engenheira civil e recebeu, na cerimônia, a láurea acadêmica, entregue pelo IFSP para o/a estudante que tenha obtido o maior Índice de Rendimento Acadêmico (IRA). A recém-formada obteve 8.34, número que considera notas e médias, entre outros fatores de rendimento acadêmico, durante o cumprimento da trajetória curricular.

Nesta quarta-feira, 12, Mayara foi entrevistada pelo IFSP porque atuou como bolsista discente no projeto de Extensão "Concurso de Beleza Negra", que, em 2018, organizou a primeira edição do concurso. Em 2019, o curso de Engenharia Civil foi reconhecido pelo MEC com nota máxima.

Leia a entrevista:

IFSP - Mayara, no dia 7 de fevereiro, você se formou em Engenharia Civil e recebeu a láurea acadêmica. Foram 5 anos no IFSP. 2015 a 2019. Como você está se sentido com a conquista da conclusão do curso e da láurea acadêmica?

Mayara - Estou muito feliz. É a realização de um sonho concluir o curso de Engenharia Civil, e a láurea parece ser um bônus, um presente ou uma recompensa por toda pressãoo que passei, por todas as noites mal dormidas, e toda ansiedade que se cria quando se faz engenharia. Passou voando, mas foram muitos aprendizados. Não cabe em palavras tudo o que estou sentindo.

IFSP - Como você avalia a Lei 12.711/2012, que reserva 50% das vagas da universidades e institutos federais estudantes egressos de escolas públicas?

Mayara - Acho 100% válida. Comecei o ensino médio em uma escola particular, depois passei num curso técnico vinculado ao ensino médio, em uma escola pública. Acabei voltando o primeiro ano para conseguir fazer os 3 anos nessa escola pública. Eu vi a extrema diferença de ensino nas duas escolas. Matérias que eu abordei em um ano na escola particular, eu não cheguei a ver nos 3 anos na escola pública. Acredito que as cotas dão uma segunda oportunidade para as pessoas, já que infelizmente o ensino público não se compara com o ensino particular. Essa lei tenta, de alguma forma, amenizar essa diferença. Muita gente acha que cota tira o lugar de quem não têm direito a ela, mas é muito absurdo pensar dessa forma. Eu entrei na faculdade (IFSP) com cota de escola pública e cota racial, e não teria conseguido sem elas.  Receber a láurea acadêmica, ao meu ver, mostra pra tanta gente que eu não tirei o lugar de ninguém, eu provei que eu estava onde eu deveria estar.

IFSP - Quais são os desafios da mulher no campo da Engenharia Civil, espaço tradicionalmente ocupado por homens?

Mayara - Eu acho que já mudou bastante isso... A minha sala por exemplo, a grande maioria é mulher, então estamos ocupando mais o espaço. Percebo que temos mais problemas no canteiro de obra mesmo, em que muitas vezes não somos muito respeitadas. Tanto no sentido dos homens não quererem ser mandados por nós, quanto em questão de sexualidade mesmo. Temos que ter muito cuidado com os tipos de roupas, com a liberdade que damos, com tudo! Mas acho que entramos na profissão com essa consciência, de que temos que batalhar para sermos respeitadas e que, infelizmente, ainda existe preconceito de gênero.

IFSP - Conte para nós sobre a experiência de ter organizado a primeira edição do concurso de beleza negra. O que fica dessa experiência extensionista?

Mayara - Eu amei participar da organização. A ideia do projeto, em geral, é maravilhosa. Eu me orgulho muito de ter feito parte. Quando fomos nas escolas fazer o convite pra galera participar muitas meninas me abordavam pra pergunta sobre meu cabelo, como consegui deixar de alisar e tals, então eu sentia mesmo que estava ajudando e incentivando elas. Eu adorei a experiência!

 


Revista Debates Insubmissos - Periódico organizado pelo Grupo de Pesquisa Movimentos Sociais, Educação e Diversidade na América Latina, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Educação Contemporânea da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. Nasceu da necessidade de congregar um conjunto de vozes que apontam para a construção de uma relação mais democrática entre conhecimentos, articulando saberes acadêmicos com saberes de lutas coletivas por justiça social nas várias dimensões do existir.

Um de seus editores é o renomado professor português Boaventura de Souza Santos.

Acesse o artigo: https://periodicos.ufpe.br/revistas/debatesinsubmissos/article/view/241785

Escolas e instituições interessadas na organização de Concurso de Beleza Negra, aos moldes da experiência IFMS/IFSP, podem entrar em contato pelos endereços:

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